sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O dia em que Adolf Hitler esteve na Oktoberfest

 Zigge-zagge Hoi, Hoi, Hoi

   Foram descobertos recentemente nos antigos arquivos secretos da Gestapo que Adolf Hitler visitou o Brasil em 1936.
   Um ano antes de sua visita Hitler manda uma expedição para o interior da Amazônia com a missão de procurar vestígios da civilização perdida de Atlântida. O Füher e a ordem secreta Thule a qual pertencia e que se encarregou por conceber a base espiritual do nazismo, tinham como uma de suas crenças fundamentais, e como um dos pilares da tese da superioridade alemã, a ideia 
de que os alemães descendiam dos Atlantis.
   Com a tese ameaçada pela derrota nos jogos olímpicos de Berlim de 1936, Hitler arrasado, receoso e afim de se recompor do vexame decide vir pessoalmente à base alemã instalada as margens do rio Jari, no Amapá, verificar se por ali as teorias acerca da superioridade ariana estavam tendo mais êxito. 


  Entretanto, ao contatar o líder da expedição Otto Schulz-Kampfhenkel, já em solo brasileiro, descobre que uma série de incidentes e o despreparo dos homens para enfrentar os desafios da selva tropical estavam literalmente botando tudo a perder. Eles haviam perdido um avião, equipamentos diversos, câmeras, armas, roupas e um dos seus homens, Joseph Greiner, que foi sepultado ali onde hoje temos como atração turística uma cruz com a suástica nazista. E pra aumentar a frustração do ditador seus homens não haviam encontrado nem um sinal de civilização perdida, eles estavam procurando uma agulha num palheiro.

   E como se já não bastasse os insucessos, o comportamento dos membros da expedição o deixou ainda mais desapontado. Os meses longe de casa e o convívio diário com índias nuas de corpo firme e pele selvagem, foi uma tentação irresistível para os expedicionários alemães. De modo que relações tidas como degeneradas pela doutrina nazista aconteceram não poucas vezes ali no meio da floresta amazônica. Hitler que já estava tremendamente decepcionado, ficou enfurecido quando soube desse fato! Muito exaltado, aparentando ira e aos berros, viu-se no meio do acampamento que ficava ao lado de uma vila indígena, o supremo comandante alemão bradando altivo, firme e indignado "Das ist miscegenation!" "Das ist miscegenation!" (Isso é Miscigenação! Isso é Miscigenação!),  no meio de um discurso - já meio batido para os alemães ali - ao seu melhor estilo, exaltando a superioridade do povo alemão, deixando transparecer um ódio poucas vezes visto antes na figura do Füher. As crianças que ficavam sempre ao redor dos visitantes alemães saíram correndo com medo, inclusive dois índios loirinhos, frutos do mau comportamento dos estrangeiros, que corriam todos desengonçados sem entender nada acompanhando as crianças mais velhas.  Um desses loirinhos era Tatunca Nara que ficaria conhecido no Brasil anos mais tarde como o índio loiro que falava alemão melhor que português e que sabia onde estavam as três cidades perdidas de Atlântida na Amazônia, e que viria a ser acusado pelo assassinato do jornalista Karl Brugger no Rio de Janeiro em 1979, além de mais três misteriosos homicídios. O que nos leva também a quarta aventura de Indiana Jones... mas, deixemos isso para uma outra ocasião, vamos para Blumenau.

 No dia seguinte, Otto Schulz-Kampfhenkel, vendo que tinha feito uma cagada daquelas e que estava muito enrascado; com medo das punições e temendo por sua carreira como expedicionário, resolveu tomar uma atitude para tentar amenizar um pouco a situação. Foi em direção a Adolf Hitler que se encontrava sentado sob sua tenda, ouvindo Wagner num gramofone, muito reflexivo. Schulz-Kampfhenkel pediu licença e sem dizer mais nada mostrou uma pequena coleção de cartazes ao seu líder supremo que se limitou a dar uma rápida olhadela e depois permaneceu imóvel na mesma posição em que estava. O líder da expedição persistiu "Meu Füher, sei que o que aconteceu aqui é indesculpável, mas receio que o que tenho em mãos é um grande achado. Não encontramos ainda nada sobre Atlântida, mas essa aqui é uma descoberta fabulosa, se me permite dizer, veja". Disse e mostrou mais uma vez os cartazes à Hitler.
 - Arte degenerada. - disse o guia do povo germânico, sem muito interesse, ao olhar o primeiro cartaz verificando que era feito no estilo Art Nouveau.
- Concordo, a arte é inferior, mas veja, aqui nesse país de escravos existe uma festa em que se celebra a germanidade no melhor estilo alemão, meu Füher.
- Oktoberfest?
 - Ja! (Sim!) No sul do Brasil eles tem uma Oktoberfest! Eu estive... quer dizer, eu soube que lá eles celebram o melhor da cultura alemã. São duas semanas de festas, tem desfiles, música, salsicha e muito chopp. Meu Füher, tire uns tempos para vc mesmo. Descansa um pouco, espaireça, refresque um pouco a mente. O Senhor precisa de umas férias, garotas, tomar um chopinho, o que acha?
- Eu não bebo. 



  Hitler ficou pensativo. Ficou realmente muito surpreso e interessado na tal Oktoberfest brasileira. Não tanto pela festa em si, mas saber que alemães tão distantes geograficamente de suas origens tiravam alguns dias do ano para exaltar os valores e tradições da cultura germânica o deixou intrigado e fascinado. Precisava conhecer essas pessoas! 

  "Ninguém me conhece! Se esta festa for mesmo assim tão boa eu vou beber todas, eu não quero nem saber!" Pensava Hitler, abstêmio que naquela altura achava merecido um bom porre, pelo menos uma vez na vida, para afogar as mágoas. Refletia isso momentos antes de entrar no antigo pavilhão da Oktoberfest em Blumenau que ficava entre a Hans Wurstesser e a avenida Krug Bier vom Fass  ali pertinho de Indaial. O Ditador que nunca havia ingerido álcool, com um copo de chopp já estava mais tonto do que quando levou um tiro numa célebre batalha durante a Primeira Guerra Mundial. Começou a dançar alucinadamente em meio ao salão sem se importar com o que pudesse acontecer, despido de vaidades, estava bêbado do chopp e embriagado pela germanidade que se manifestava vívida naquele salão que o remetia à um sentimento que pra ela tinha algo do sentimento que experimentavam seus ancestrais nos antigos rituais pagãos ao redor de uma fogueira.


   O Imperador do Terceiro Reich parecia então uma criança com seus amiguinhos brincando no quintal da família num domingo a tarde. Mas quando cruzava seu olhar com o de alguma mocinha virava um velho tarado.
  Então o Fuher se deu conta, "Nossa! estão tocando pela terceira vez Zigge-zagge Hoi, Hoi, Hoi!" Pensamento que em meio a alegria logo se desvaneceu. Se esqueceu, voltou aos novos amiguinhos e às mocinhas. Não sabia ele, mas era a última vez que voltaria a se sentir feliz. Não demora muito a música toca de novo. E mais um vez. "Oras, já basta!", disse Hitler a si mesmo que muito irritado se dirigiu bêbado em direção ao palco onde a banda tocava Zigge-zagge Hoi, Hoi, Hoi já pela sétima vez!

   Ao entrar no palco que ficava a três degraus de altura, Hitler pisou firme e com um gesto rígido fez com que o som da banda parasse. O vocalista não entendeu, o público chiou. Hitler decidido dirigiu-se a frente do microfone e sentindo-se em casa no sentido figurado da expressão diz a massa que o observava curiosa e que fazia todo tipo de barulho que se faz quando uma multidão está reunida e se divertindo: "Alemães e Alemãs! Se gostam tanto de Zigge-zagge Hoi, Hoi, Hoi, se esta célebre canção tem tanto significado para vcs parem de ficar repetindo ela a noite toda! Parem de desonrar a expressividade e o valor artístico desta composição! Escolham um momento solene da noite, ou um horário especial, já mais para o fim da festa, e transformem esse momento numa tradição, que seja o ponto alto da noite, um êxtase triunfante! Alemães..." Nisso veio o vocalista da banda, que tinha num primeiro momento achado que o homem de bigode engraçado fosse alguma autoridade importante pela maneira como entrou em cena. Porém,  quando concluiu que este era só mais um bêbado que veio encher o saco deu um chega pra lá no líder alemão que quase caiu de bruços para fora do palco de tão bêbado.

   Hitler que num dia normal no mínimo daria um jeito de mandar aquele homem para um campo de concentração, achou graça de tudo o que estava acontecendo, voltou ao salão, pegou mais um chopp e nem se importou depois quando Zigge-zagge Hoi, Hoi, Hoi tocou mais três vezes.
   No dia seguinte, Adolf Hitler se lembrava de ter se divertido, e só. Não conseguia lembrar os detalhes daquela noite. Estava com muita dor de cabeça e sentia que aquele sentimento de orgulho por possuir o sangue germânico nas veias fora reaceso. Em Blumenau, nos dias seguintes houve quem comentou sobre o bêbado engraçado com bigode de Chaplin que balbuciou um discurso em alemão, que nem os imigrantes alemães puderam entender devido ao estado de embriaguez do homem e deles mesmos. História que logo se dissipou entre inúmeras histórias de bêbados e as amnésias alcoólicas de todos os anos. Não fossem pelos agentes da Gestapo que discretamente acompanharam seu líder, fotografaram e registraram essa história em relatórios oficiais ultra-secretos ela jamais teria sido contada.












Os Americanos

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